quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Império Bizantino parte II

Papa Adriano IV, aquele que negociou com Manuel contra o rei normando Guilherme I da Sicília
Em 1154, após a morte de Ricardo e da sua sucessão por Guilherme I da Sicília, o sul da Itália entrou em um período de instabilidade política aproveitado por Manuel para invadi-la.[107] Em 1155, ele enviou para a península Miguel Paleólogos e João Ducasjunto com 10 navios e uma grande quantia de ouro.[108] Com a ajuda de barões locais que rebelaram-se contra a coroa siciliana de Guilherme I, Miguel logrou rápidos resultados.[105] Muitas fortalezas se renderam ou pela força ou pela sedução ao ouro.[73] Após a destruição da cidade deBari, as cidades de TraniGiovinazzoAndriaTaranto e Brindisi e o exército de Guilherme foi derrotado.[109] Durante as campanhas na Itália Manuel e o Papa Adriano IV realizaram negociações e alianças através da restauração entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica.[110] Miguel ofereceu uma grande quantia ao Papa em troca de provisões as tropas, além de uma garantia de poder sobre três cidades costeiras em troca de assistência na expulsão de Guilherme. Manuel também prometeu pagar 5.000 libras de ouro ao Papa e a Cúria.[111] A aliança foi formada.[107]Uma derrota em Brindisi em 1156 terminou com as campanhas na Itália.
Para enfraquecer o poder veneziano no mar Egeu, Manuel realizou acordos com Pisa e Gênova. Após uma breve guerra com Veneza, os bizantinos expulsaram os venezianos do Egeu. Manuel também se aliou as cidades livres da Itália contra Frederico Barbarossa.
Estados Cruzados da Palestina.
Em 1156Reinaldo de Châtillon, o príncipe de Antioquia, prometeu atacar a província bizantina doChipre.[112] Ele mandou prender o governador da ilha, João Comneno, e o general Michael Branas.[113] Guilherme de Tiro descreve as atrocidades dos homens de Reinaldo.[114] A ilha foi saqueada, os habitantes pilhados e mutilados e os sobreviventes compraram os caros produtos de Reinaldo, enriquecendo Antioquia por muitos anos.[115] Reinaldo enviou alguns reféns mutilados para Constantinopla.[113] No inverno de 1558-1559, Manuel marchou com um numeroso exército para a Cilícia surpreendendo Teodoro II da Armênia, que também havia participado do ataque a Chipre;[116] todas as vilas e cidades se renderam. Reinaldo de Châtillon, percebendo que não conseguiria vencer Manuel apresentou-se ao imperador vestido em um saco com uma corda no pescoço pedindo clemência; segundo Guilherme de Tiro a situação foi tão demorada que os presentes se sentiram "enojados".[117] Manuel perdoou Reinaldo na condição de que a Antioquia se torna-se vassala do império.[118] Quando Manuel se preparava para realizar uma expedição a EdessaNur ad-Din libertou 6.000 prisioneiros cristãos, capturados em várias batalhas desde a segunda cruzada, o que fez o imperador abandonar a campanha.[73] No ano seguinte, Manuel expulsou os turcos daIsauria.[119]
Manuel obrigou os sérvios rebeldes à vassalagem (1150-1152) e lançou ataques constantes ao Reino da Hungria com intenção de anexar seu território até o rio Sava. Manuel colocou Estevão IV no trono da Hungria, um líder que trouxe benefícios ao império. No entanto, o sobrinho de Estêvão IVEstêvão III, começou uma rebelião que foi resolvida apenas com a perda dos territórios da Croácia e Dalmácia. Após diversos conflitos, Miguel apenas manteve o território conquistado de Sírmia e após a morte de Estevão III, colocou no trono Bela III da Hungria que até o fim de seu reinado teve um governo favorável a Constantinopla.
O Império Bizantino sob Manuel I Comneno em 1180.
Na Palestina, ele se aliou com o Reino Cruzado de Jerusalém e enviou uma grande frota para participar de uma invasão combinada contra osfatímidas no Egito. No leste, no entanto, Manuel sofreu uma grande derrota na Batalha de Miriocéfalo, em 1176, contra os turcos. Contudo, as perdas foram rapidamente recuperadas, e no ano seguinte as forças de Manuel infligiram uma derrota a uma força de "turcos encolhidos".[120] O comandante bizantino João Vatatzes, que destruiu os invasores turcos na Batalha de Hyelion e Leimocheir, não só trouxe as tropas da capital, mas também foi capaz de reunir um exército ao longo do caminho, um sinal de que o exército bizantino manteve-se forte e que a defesa do oeste da Ásia Menor foi ainda bem sucedida.[121]
No geral Manuel reforçou sua posição como senhor dos estados cruzados, com sua hegemonia sobre Antioquia eJerusalém garantido pelo acordo com Reinaldo, o príncipe de Antioquia, e Amalrico, rei de Jerusalém, respectivamente.[122] Até 1168, quase toda a costa do Adriático Oriental estava nas mãos de Manuel.[123] Manuel também fez várias alianças com o papa e os reinos cristãos ocidentais, e com sucesso lidando com a passagem daSegunda Cruzada através de seu império.[116]

[editar]Renascimento do século XII

João e Manuel prosseguiram em políticas militares ativas, e ambos implantaram recursos consideráveis em cercos e nas defesas da cidade; políticas de fortificação agressiva estiveram no centro das suas políticas militares imperiais.[124] Apesar da derrota em Miriocéfalo, as políticas de Aleixo, João e Manuel resultaram em grandes conquistas territoriais, o aumento da estabilidade da fronteira na Ásia Menor, e garantiu a estabilização das fronteiras europeias do império. De 1081 a 1180, o exército de Comneno garantiu a segurança do império, permitindo o florescimento da civilização bizantina.[125]
Isto permitiu que as províncias ocidentais conseguissem uma recuperação econômica, que continuou até o final do século. Tem sido argumentado que Bizâncio sob o governo Comneno foi mais próspero do que em qualquer momento desde a invasão persa no século VII. Durante o século XII, os níveis da população elevaram-se e grandes novas extensões de terras agrícolas foram colocadas em produção. Evidências arqueológicas da Europa e Ásia Menor mostra um aumento considerável do tamanho dos assentamentos urbanos, juntamente com o aumento notável de novas cidades. O comércio também florescia; venezianosgenoveses e outros abriram as portas do mar Egeu para o comércio, o transporte de mercadorias dos reinos cruzados de Ultramar e do Egito fatímida para o oeste e comércio com o império bizantino via Constantinopla.[126]
Em termos artísticos, houve um ressurgimento de mosaicos, e as escolas regionais de arquitetura começaram a produzir estilos distintos que se basearam em uma série de influências culturais. Durante o século XII, os bizantinos, com modelo em seu humanismo iniciaram um renascimento do interesse em autores clássicos. Em Eustáquio de Tessalónica,o humanismo bizantino encontrou sua expressão mais característica.[127]

[editar]Declínio e desintegração

[editar]Dinastia dos Ângelos

A morte de Manuel I Comneno, em 24 de setembro de 1180, deixou seu filho de onze anos, Aleixo II Comneno no trono. Aleixo era altamente incompetente na função, mas foi sua mãe,Maria de Antioquia, e seu parentesco franco que fez a sua regência impopular.[128] Eventualmente, Andrônico I Comneno, um neto de Aleixo I, lançou uma revolta contra o seu parente mais jovem e conseguiu derrubá-lo em um violento golpe de Estado. Utilizando sua boa aparência e sua imensa popularidade com o exército, marchou para Constantinopla, em agosto de 1182, e incitou um massacre de latinos.[129] Depois de eliminar seus rivais em potencial, ele coroou-se como co-imperador, em setembro de 1183, eliminando Aleixo II e ainda levando sua esposa Agnes da França, de 12 anos, com ele.[129]
Andrônico assim começou seu reinado, em especial, as medidas tomadas para reformar o governo do império têm sido elogiadas pelos historiadores. De acordo com George Ostrogorsky, Andrônico estava determinado a acabar com a corrupção: sob seu comando, a venda de funções cessou; a seleção foi baseada no mérito, em vez do favoritismo; funcionários foram pagos com salários adequados, de modo a reduzir a tentação de suborno. Nas províncias, as reformas de Andrônico produziram um melhora rápida e acentuada.[130]Os aristocratas ficaram furiosos com ele, e para piorar as coisas, Andrônico parece ter ficado cada vez mais desequilibrado; execuções e violência tornaram-se cada vez mais comuns, e seu reinado transformou-se em um reino de terror.[131] Andrônico parecia quase a procurar o extermínio da aristocracia como um todo. A luta contra a aristocracia se transformou em um massacre em massa, enquanto o imperador recorreu a medidas cada vez mais implacáveis para escorar seu regime.[130]
Iconium foi vencida pela Terceira CruzadaFrederico Barbarossapassou por Constantinopla sob o governo de Isaac II Ângelo.
Apesar de sua formação militar, Andrônico não conseguiu lidar com Isaac Comneno, proclamou a independência da ilha de ChipreBela III reincorporou os territórios croatas na Hungria (Dalmácia, a Bósnia e Sírmia) e Estêvão Nemanja daSérvia declarou sua independência de Bizâncio. Por sua vez, os turcos conquistaram uma ampla porção da Ásia Menor, cortando em dois o norte e o sul bizantinos da Anatólia. Além disso, o rei armênio Ruben atacou a Cilícia. Em1183, os húngaros e sérvios se aliaram para invadir o império, devastando BelgradoBranicervoNis e Sófia. Em seguida, Estêvão Nemanja começou uma expansão sobre as fronteiras bizantinas para o leste e sul. Em 1184 Andrônico realizou um rápido contra ataque contra os húngaros tomando Serdica e NisGênova e Pisa se vingaram do império bizantino pelo massacre dos latinos iniciando um período de pirataria no Egeu, prática interrompida apenas quando Andrônico realizou um acordo em 1185 com Veneza. No entanto, nenhum destes problemas seria comparado com a invasão de Guilherme II com 300 navios e 80.000 homens, chegando na região em 1085.[132] Com sua armada ocupando CorfuCefalônia e Zane, conquistou a cidade de Dyrrhachium (atual Durrës) em 24 de junho e Tessalónica em24 de agosto. Andrônico mobilizou uma pequena frota de 100 navios para defender a capital mas era indiferente a população. Ele finalmente foi derrubado quando Isaac Ângelos, sobrevivendo a uma tentativa de assassinato imperial, tomou o poder com a ajuda do povo e teve Andrônico morto.[133]
O reinado de Isaac II e, mais ainda, de seu irmão Aleixo III, viu o colapso do que restava da máquina do governo centralizado bizantino e da defesa. Embora, os normandos tenham sido expulsos da Grécia após uma derrota decisiva de 7 de setembro de 1085, em 1186 os valáquios e os búlgaros começaram uma rebelião que levaria à formação doSegundo Império Búlgaro. A política interna dos Ângelos foi caracterizada pelo esbanjamento do tesouro público, e uma má administração fiscal. A autoridade bizantina foi seriamente enfraquecida, e o vácuo crescente no poder central do império encorajou fragmentação. Há evidências de que alguns herdeiros Comnenos tinham criado um estado semi-independente em Trebizonda antes de 1204.[134] De acordo comAlexandre Vasiliev,"A Dinastia dos Angelos, gregos em sua origem, [...] acelerou a ruína do império, já enfraquecido e com desunião interna".[135]

[editar]Quarta Cruzada

A entrada dos cruzados em Constantinopla por Eugène Delacroix (1840).
Em 1198, o Papa Inocêncio III, abordou o assunto de uma nova cruzada por meio de legados e cartas encíclicas.[136] A intenção declarada da cruzada era conquistar o Egito, agora o centro do poder dos muçulmanos no Levante. O exército cruzado que chegou a Veneza no verão de 1202 foi um pouco menor do que tinha sido previsto, e não havia fundos suficientes para pagar os venezianos, cuja frota foi contratada pelos cruzados para levá-los ao Egito. A política da República de Veneza sob o envelhecido e cego, mas ambicioso doge Enrico Dandolo estava potencialmente em desacordo com o Papa e os cruzados, pois a cidade estava intimamente relacionada comercialmente com o Egito.[137] Os cruzados aceitaram a sugestão de que em dação de pagamento ajudariam os venezianos na captura do porto de Zara (atual Zadar, na Dalmácia), cidade vassala da República de Veneza, que havia se rebelado e se colocado sob a proteção do Reino da Hungria em 1186.[138] A cidade caiu em novembro de 1202, após um breve cerco.[139][140] Inocêncio, que foi informado do plano, e que teve seu veto desconsiderado, estava relutante em comprometer a cruzada, e deu a absolvição condicional para os cruzados – não, contudo, para os venezianos.[137]
Após a morte de Teobaldo III, Conde de Champagne, a liderança da cruzada passou a Bonifácio de Montferrat, um amigo doHohenstaufen Filipe da Suábia. Ambos Bonifácio e Filipe tinham casamento na família imperial bizantina. Na verdade, o cunhado de Filipe, Aleixo Ângelo, filho do deposto e cego imperador Isaac II Ângelo, tinha aparecido na Europa buscando ajuda e fez contato com os cruzados. Aleixo ofereceu a reunificação da Igreja Bizantina com a de Roma, pagar aos cruzados 200.000 marcos de prata, e juntar-se à cruzada com 200.000 marcos de prata e todos os suprimentos que precisassem para chegar noEgito.[141] Inocêncio estava ciente de um plano para desviar a Cruzada para Constantinopla, e proibiu qualquer ataque a cidade, mas a carta papal chegou após a partida das tropas de Zara.
Queda de Constantinopla frente aos cruzados em 1204.
Após se apoderaram de Corfu, os cruzados chegaram a cidade no verão de 1204.[140] Após a derrota das tropas terretres da cidade e da tomada da torre de Gálata que defende a cidade por terra, Aleixo III Ângelo fugiu da capital[140] e Aleixo Ângelo foi elevado ao trono como Aleixo IV, juntamente com seu pai cego Isaac. No entanto, Aleixo e Isaac não foram capazes de manter suas promessas e foram depostos por Aleixo V na medida em que os cruzados foram empurrados para fora da cidade.[140]20.000 homens fazem um novo cerco a cidade.[140] O primeito assalto começou em 9 de abril; os cruzados não tomaram na cidade.[140] No entanto, a cidade sucumbe após novo assalto em 13 de abril.[140] Durante este assalto os venezianos usaram seus navios como fortalezas para escadas que foram erguidas nos muros.[140] Constantinopla foi submetida a pilhagem e massacre por três dias.[140] Muitos ícones inestimáveis, relíquias e outros objetos mais tarde foram mandados para a Europa Ocidental, um grande número para Veneza.[140] De acordo com Choniates, uma prostituta foi posta no trono patriarcal.[142]Quando Inocêncio III ouviu falar da conduta de seus cruzados, ele os castigou, em termos inequívocos. Mas a situação estava fora de seu controle, especialmente depois que sua iniciativa, havia absolvido os cruzados de seus votos para avançar a Terra Santa.[73][137] Quando a ordem foi restabelecida, os cruzados e venezianos passaram a implementar seu acordo; Balduíno de Flandres foi eleito imperador[140] e o veneziano Tomás Morosini foi escolhido patriarca. As terras distribuídas entre os líderes não incluem todas as ex-possessões bizantinas. O domínio bizantino continuou em NiceiaTrebizonda e no Épiro.[137][140]

[editar]Queda

[editar]Império no exílio

A fragmentação do Império Bizantino depois de 1204.
Depois do saque de Constantinopla de 1204 pelos cruzados latinos, dois estados sucessores bizantinos foram estabelecidos: oImpério de Niceia e o Despotado do Épiro. Um terceiro, o Império de Trebizonda foi criado algumas semanas antes do saque deConstantinopla por Aleixo I de Trebizonda. Destes três estados sucessores, Épiro e Niceia ficaram com a melhor chance de recuperar Constantinopla. O Império de Niceia lutou, para sobreviver nas décadas seguintes, e por meados do século XIII perdeu muito do sul da Anatólia.[143] O enfraquecimento do Sultanato de Rum após a invasão mongol em 1242-1243 permitiu que muitosbeis e ghazas criassem seus próprios principados da Anatólia, enfraquecendo a esperança bizantina na Ásia Menor.[144] Com o tempo, um dos beisOsman I, criou um império que iria conquistar Bizâncio. No entanto, a invasão mongol também deu a Niceia uma trégua temporária contra os ataques seljúcidas que lhe permitiu concentrar-se no Império Latino ao norte de suas posições.

[editar]Reconquista de Constantinopla

Império Bizantino em 1265.
Império de Niceia, fundando a Dinastia Láscaris, conseguiu recuperar Constantinopla dos latinos em1261[145][146] e derrotou o Despotado do Épiro. Isso levou a um renascimento de curta duração das finanças bizantinas sob Miguel VIII Paleólogo no entanto o império foi devastado pela guerra por estar mal-equipado para lidar com os inimigos que agora o cercava. A fim de manter suas campanhas contra os latinos, Miguel retirou suas tropas da Ásia Menor, cobrando impostos escorchantes sobre o campesinato, causando muito ressentimento.[147] Grandes projetos de construção foram concluídos em Constantinopla para reparar os danos da Quarta Cruzada, mas nenhuma destas iniciativas foi de grande conforto para os agricultores da Ásia Menor, que sofreram invasões dos ghazis fanáticos.
Em vez de explorar suas possessões na Ásia Menor, Miguel decidiu expandir o império, ganhando apenas um sucesso de curto prazo. Para evitar outro saque da capital pelos latinos, ele forçou a Igreja se submeter aRoma, novamente uma solução temporária onde os camponeses odiaram Miguel e Constantinopla.[148] Os esforços de Andrónico II e mais tarde de seu neto Andrónico III marcou as últimas tentativas genuínas de Bizâncio em restaurar a glória do império. No entanto, o uso de mercenários por Andrónico II foi uma péssima ideia, com a Companhia Catalã assolando os campos e aumentando o ressentimento contra Constantinopla.[149] Durante o reinado de Andrónico II, o império perdeu boa parte da Bitínia para os otomanos de Osman I e os búlgaros tomaram entre 1305-1307 sob Teodoro Svetoslav da Bulgária uma parte significativa do Nordeste da Trácia.
Durante o reinado de Andrónico III, novos territórios foram perdidos: na Ásia Menor os otomanos tomaram Niceia (1331) e Nicomédia (atual İzmit) (1337), restando ao império poucos territórios costeiros. Após uma desastrosa guerra contra o Império Búlgaro, Constantinopla, como acordo de paz, perdeu mais alguns territórios.

[editar]Ascensão dos otomanos e queda de Constantinopla

Mediterrâneo Oriental no ano 1450.
As coisas tornaram-se piores para Bizâncio durante a guerra civil que se seguiu à morte de Andrónico III. Os seis longos anos de guerra civil devastaram o império, permitindo que o governante sérvio Estêvão Uroš IV Dušan conquistasse a maior parte dos territórios restantes do império principalmente na Macedônia formando o Império Sérvio, um reino que teve vida curta. Em 1354, um terremoto devastou Gallipoli, permitindo que os otomanos se estabelecessem na Europa.[150] Também houve uma guerra contra os genoveses.
Queda de Constantinopla em 1453 segundo uma miniatura francesa do século XV.
Sob João V Paleólogo, o império assistiu a conquista turca de Andrinopla (atual Edirne) eFilipópolis (atual Plovdiv). Novas guerras civis assolaram o império e quando estas cessaram os turcos haviam derrotado os sérvios os tornado vassalos do império. Depois da Batalha do Kosovo, grande parte dos Bálcãs foi dominado pelos turcos.[151]
Os imperadores recorreram a ajuda do Ocidente, no entanto o Papa só considerou o envio de ajuda em troca de uma reunião da Igreja Ortodoxa com a Santa Sé de Roma. A Unidade da Igreja foi considerada e, ocasionalmente, realizada por decreto imperial, mas as cidadãos e o clero ortodoxo intensamente ressentiram a autoridade de Roma e o Rito Latino.[152] Algumas tropas ocidentais chegaram para reforçar a defesa cristã deConstantinopla, mas a maioria dos governantes ocidentais, distraídos com seus próprios assuntos, não fez nada para com os otomanos que estava tomando os territórios remanescentes dos bizantinos.[153]
Entrada de Maomé II em Constantinoplapor Fausto Zonaro.
O império sentiu-se um pouco desafogado da ameaça bizantina quando em 1402 Tamerlão derrotou os otomanos na Batalha de Ancara,[154] assim como quando houve um interregno no império otomano causado por uma guerra civil entre os herdeiros do falecido sultão Bayezid I. Foi durante a guerra civil otomana que Bizâncio reconquistou a margem europeia do Mar de Mármara e Tessalónica. Também houve expansão das fronteiras do Despotado da Moreia, uma possessão bizantina. No entanto, em1430 os otomanos reconquistaram Tessalónica.
Tropas conjuntas do rei da Hungria e do papa atacaram os otomanos contudo, em 10 de novembro de1444, em Varna, foram esmagadas.[140]
Constantinopla estava despovoada e em ruínas.[140] A população da cidade havia colapsado de tal forma que já era pouco mais do que um aglomerado de vilas separadas por campos. Em 2 de abril de 1453, o exército do sultão Mehmed de cerca de 80.000 homens sitiou a cidade.[155] Apesar de a cidade possuir uma defesa desesperada de última hora (7.000 homens, dos quais 2000 eram estrangeiros),[153]Constantinopla caiu apenas depois de dois meses de cerco em 29 de maio de 1453. O último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo, foi visto pela última vez após arremessar suas insígnias imperiais e atirar-se em combate corpo-a-corpo, após os muros da cidade serem tomados.[156]

[editar]Consequências

O "Theatrum Orbis Terrarum" ("Teatro do Globo Terrestre") deAbraham Ortelius, publicado em 1570 em Antuérpia, considerado o primeiro atlas moderno, resultado das intensas explorações marítimas.
Entre as principais consequências da conquista de Constantinopla destaca-se a migração de intelectuais bizantinos que levaram consigo conhecimentos que influenciaram o movimento cultural conhecido como Renascimento.[60][157]
Com a conquista de Constantinopla, o comércio de especiarias, anteriormente monopolizado por Veneza e Gênova, foi abalado pois além de serem cobradas taxas altíssimas pelos produtos comercializados, ficou muito perigoso para cristãos navegarem para estes lados do Mediterrâneo.[157] Isso foi um dos motivos que levaram os Estados nacionais começassem a procurar por novas rotas para adquirir as especiarias da Índia e da China.[157] Foi nesse momento quePortugal e Espanha começaram as navegações marítimas do Atlântico.[60] Como consequência os as repúblicas de Gênova e Veneza entraram em declínio na medida em que os portugueses contornaram a África e chegaram na Índia e os espanhóis descobriram a América.
As diversas transformações econômicas e políticas que se seguiram à queda do Império Romano do Oriente levaram os historiadores a convencionarem o ano de 1453 como o marco do fim da Idade Média[158][159][160] e do fim do feudalismona Europa, fazendo do Império Bizantino um grande marco para as descobertas de novas terras, e para o desenvolvimento do capitalismo no mundo.

[editar]Legado de Bizâncio

Mehmed II passou a conquistar os pequenos estados gregos de Mistra em 1460 e Trebizonda em 1561. O sobrinho do último imperador, Constantino XI PaleólogoAndreas Paleólogotinha herdado o título de imperador do extinto império bizantino e o usou de 1465 até sua morte em 1503.[13] Até o final do século XV, o Império Otomano tinha estabelecido seu domínio firme sobre a Ásia Menor e partes da península balcânica. Mehmed II e seus sucessores continuaram a considerar-se herdeiros adequados para o império bizantino até o final do império otomano no início do século XX. Enquanto isso, os principados do Danúbio abrigaram refugiados ortodoxos, incluindo alguns nobres bizantinos.
Na sua morte, o papel do imperador como patrono da Ortodoxia Oriental foi reivindicado por Ivan IIIgrão-duque da Moscóvia. Ele havia se casado com a irmã de Andreas, Sofia Paleólogo, cujo neto, Ivan IV, passaria a ser o primeiro czar da Rússia (czar, o que significa César, é um termo tradicionalmente usado pelos eslavos aos imperadores bizantinos). Seus sucessores apoiaram a ideia de que Moscou era o herdeiro apropriado de Roma e Constantinopla. A ideia do Império Russo como a Terceira Roma foi mantido vivo até seu desaparecimento com a Revolução Russa em 1917.[161]

[editar]Cultura

[editar]Economia

A economia bizantina estava entre as mais avançadas da Europa e do Mediterrâneo durante muitos séculos. A Europa, em particular, foi incapaz de se igualar a economia bizantina até o final da Idade MédiaConstantinopla foi o eixo principal em uma rede de comércio que por diversas vezes estendia-se em quase toda a Eurásia e África do Norte, em especial, sendo o principal terminal oeste da famosa Rota da Seda. Alguns estudiosos afirmam que, até a chegada dos árabes no século VII, o império tinha a economia mais poderosa do mundo. As conquistar árabes, no entanto, representariam uma reversão significativa da fortuna que contribuiu para um período de declínio e estagnação. As reformas de Constantino V (765) marcaram o início de um renascimento que perdurou até 1204. A partir do século X até o final do século XII, o império bizantino projetou uma imagem de luxo, e os viajantes ficaram impressionados com a riqueza acumulada na capital. Tudo isso mudou com a chegada da Quarta Cruzada, que foi uma catástrofe econômica.[162] Os Paleólogos tentaram reanimar a economia, mas o Estado bizantino tardio não iria ganhar controle completo, quer dos estrangeiros ou da força econômica doméstica. Gradualmente, ele também perdeu a sua influência sobre as modalidades do comércio e os mecanismo de preço, e seu controle sobre a saída de metais preciosos e, de acordo com alguns estudiosos, até mesmo sobre a cunhagem de moeda.[163]
Uma das bases econômicas do império era o comércio. Têxteis devem ter sido de longo os itens mais importantes da exportação; sedas certamente foram importadas para o Egito, e apareceram também na Bulgária e no Ocidente.[164] O estado controlava rigorosamente tanto o mercado interno como o comércio internacional, e manteve monopólio da emissão de moedas. O governo exercia um controle formal sobre as taxas de juros, e definia os parâmetros para a atividade das guildas e corporações, onde tinha um interesse pessoal. O imperador e seus oficiais intervieram em momentos de crise para garantir o abastecimento da capital, e para manter o baixo preço dos cereais. Finalmente, o governo muitas vezes coletava parte do excedente através de impostos, e colocava novamente em circulação, por meio de redistribuição sob a forma de salários aos funcionários do Estado, ou sob a forma de investimentos em obras públicas.[165]
Outros produtos comercializados eram: escravosjóiasperfumesâmbarespeciarias (cravopimenta-do-reinomostarda), pelesporcelanasarmas, imagens religiosas, marfim, objetos de ourotrigopapiros, pedras preciosas, azeiteazeitonasvinho e ornamentos.[157][166][167][168]

[editar]Sociedade

A sociedade urbana bizantina era dividida em três grandes camadas: a classe rica, a classe intermediária e a classe pobre. A classe rica era composta por membros da corte, grandes comerciantes, banqueiros, donos de oficinas manufatureiras, alto clero e funcionários destacados que consumiam os produtos de luxos produzidos ou importados.[157][167][168][169][170]A classe intermediária era composta por artesãos (que trabalhavam em corporações de ofícios, que eram formadas por artesão de mesmo ramo, como carpinteiros, tecelagem ou sapataria), funcionários de médio e baixo escalão e pequenos comerciantes.[157][167][168][169][170] E a classe pobre era composta por funcionários das manufaturas, servos e escravos.[157][167][168][169][170]
No campo havia pequenas propriedades agrícolas formadas por pequenas aldeias e vilas, na medida em que havia também os latifúndios dos mosteiros, altos funcionários (assim como militares)[157][167][168][169][170] e os chamados dínatas que são aqueles que recebiam os latifúndios por meio de herança.[169]
Segundo as tradições bizantinas os casamentos eram arranjados pelos pais dos noivos que tinham como intenção alianças familiares, dotes, etc.[55] As meninas podiam casar aos 12 e os meninos aos 14. O homem precisava de bens equivalentes ao dote da mulher.[55] Os casamentos imperiais eram arranjados pelos alto funcionários do palácio que traziam pretendentes de todo o reino para os principes escolherem.[55]

[editar]Vestuário bizantino

Trajes de Justiniano e seu séquito
Os bizantinos da classe alta vestiam túnicas bem decoradas. Tais túnicas eram feitas de seda e fiapos de ouro, e usavam pérolas e pedras preciosas como decorações.[171] Pessoas de classes mais baixas vestiam túnicas simples. Os imperadores e pessoas da corte usavam também um tipo de manta sobre suas túnicas. Posteriormente, o imperador e a imperatriz passaram a usar um longo tecido em volta dos seus pescoços, como um cachecol, e nobres passaram a usar longas e firmes meia-calças.
Pessoas de classes inferiores vestiam túnicas simples e mantos retangulares. Posterior e lentamente, tais foram substituídas por roupas feitas de acordo com as medidas de cada pessoa. A túnica das mulheres desenvolveu-se num vestido que era firmemente atado na parte superior do corpo. Os homens passaram a usar mangas por baixo de suas túnicas e meias.

[editar]Ciências, medicina e lei

O frontispício de Vienna Dioscurides, que mostra um grupo de sete médicos famosos.
Os escritos da Antiguidade Clássica nunca deixaram de ser cultivados em Bizâncio. Portanto, a ciência bizantina foi em cada período uma ligação estreita com a filosofia antiga (principalmente Platão e Aristóteles)[172] e com a metafísica.[173] Embora em vários momentos os bizantinos fizeram magníficas conquistas na aplicação das ciências (notavelmente na construção de Hagia Sophia), a partir do século VI eruditos bizantinos fizeram poucas novas contribuições para a ciência em termos de desenvolvimento de novas teorias ou no estender de autores clássicos.[174] Conhecimentos particulares foram retardados durante os anos sombrios da praga e das conquistas árabes, mas, em seguida, durante o chamadoRenascimento Bizantino no final do primeiro milênio os estudiosos bizantinos reafirmaram-se como especialistas em desenvolvimentos científicos dos árabes e persas, especialmente na astronomia e matemática.[175]
No último século do império, gramáticos bizantinos foram os principais responsáveis pela execução, pessoalmente e por escrito, de estudos gramaticais e literários do grego antigo para o início da Renascença italiana.[176] Durante este período, a astronomia e outras ciências matemáticas eram ensinadas em Trebizonda; medicina atraiu o interesse de quase todos os estudiosos.[177]
No império bizantino houve uma nítida preocupação pela conhecimento.[178] A dita Apaideusia, falta de cultura mental, ou conhecimento, era motivo para ridiculazização e zombaria.[178] Durante a vida acadêmica os meninos aprendiam gramática (leitura, escrita e critíca a obras clássicas, especialmente Homero), retórica (correção da pronúncia e estudo de autores), filosofiaartearitméticageometriamúsica,astronomiadireitomedicinafísica e ainda possuiam uma educação religiosa.[178] Não houve menção quanto a educação feminina mas supõe-se que ao menos, as meninas de classes abastadas, recebiam, em parte, a mesma educação dos meninos, enquanto que nas classes aprendiam geralmente apenas a ler e escrever.[178]
No campo do direito, as reformas de Justiniano I tiveram um efeito claro sobre a evolução da jurisprudência e a Ecloga de Leão III influenciou a formação das instituições jurídicas domundo eslavo.[179]

[editar]Literatura bizantina

Os bizantinos tiveram interesse na literatura clássica, especialmente para a poesia lírica e/ou satírica.[172]
Na literatura bizantina, quatro diferentes elementos culturais podem ser reconhecidos: os gregos, os cristãos, os romanos e os orientais. A literatura bizantina é muitas vezes classificada em cinco grupos: historiadores e analistas, enciclopedistas e ensaístas e escritores de poesia secular (a única verdadeira epopeia heróica dos bizantinos é o Digenis Akritis). Os outros dois grupos são: literários eclesiásticos e teológicos e escritores de poesia popular. Dos cerca de três mil volumes da literatura bizantina que sobrevivem, apenas trezentos e trinta consistem de poesia secular, história, ciência e pseudo-ciência.[180] Na literatura religiosa bizantina (sermões, livros litúrgicos e poesia, teologia, tratados devocionais etc.), Romano, o Melodista foi seu representante mais proeminente.[181]
A língua literária clássica teve uma grande influência na literatura bizantina até o século VI, no entanto a partir deste momento, quando o império havia entrado em um período de declínio decorrente de crises econômicas e dos ataques constantes de árabes e depois de búlgaros, a língua clássica declinou.[182] Durante os séculos IX e século X, durante o chamadaRenascimento Bizantino da Dinastia Macedônica, ocorreu a recriação da cultura helênico-cristã da antiguidade clássica, na medida em que a língua popular deixou de ser utilizada e ahagiografia (biografia de santos) foi escrita em língua e estilo clássico.[182] Durante o Renascimento do século XII novos gêneros literários foram desenvolvidos com ênfase no romance de ficção e a sátira.[182] No entanto, durante o período entre a Quarta Cruzada (1204) e a Queda de Constantinopla (1453) houve um novo ressurgimento da literatura clássica.
A poesia não litúrgica bizantina foi escrita em métrica e estilo clássicos.[182] Do período entre o século VII e o século X os trímetros jâmbicos tornaram-se predominantes perpetuando uma característica poética até fim do império e serviram para narrativas, epigramas, romances, sátiras e instruções religiosas e morais.[182] No século XI, o verso de 15 sílabas começou a ser utilizado tornando-se a poesia da corte no século XII. Houve poemas que foram imitados do Ocidente.[182]
A poesia litúrgica foi composta desde os primórdios de canções e pequenas estrofes rítmicas, a troparia.[182] No século VI, a troparia foi substituída pela kontakia, composta de uma série de até 22 estrofes, construídos com o mesmo padrão rítmico e terminados com um refrão rítmico.[182] Era uma homilia que contava um evento bíblico ou a história de umsanto.[182] No século VII foi substituído por um tipo de poema mais longo, o kanon, que eram hinos de louvor.[182]
Até o século VII a historiografia foi escrita e estilo clássico, com falas fictícias e trechos descritivos do ambiente.[182] Após este período a estilo clássico foi extinto retornando apenas durante o século IX, onde houve um interesse pelo personagem humano e nas causas dos eventos.[182] Também foram escritas, dentro do ramo da historiografia, crônicas do mundo.[182]

[editar]Religião

A sobrevivência do império romano do oriente garantiu um papel ativo do imperador em assuntos da Igreja. O Estado bizantino herdou dos tempos pagãos a rotina financeira de administrar assuntos religiosos, e essa rotina foi aplicada à Igreja Cristã. Segundo o padrão estabelecido por Eusébio de Cesareia, os bizantinos viam o imperador como um representando ou mensageiro de Cristo, responsável em particular para a propagação do cristianismo entre os pagãos, e para o campos externos à religião, como administração e finanças. O papel imperial, no entanto, nos assuntos da Igreja nunca se desenvolveu em um sistema fixo legalmente definido.[183] A busca pela unificação das crenças, costumes e ritos de todo o império e a hierarquia eclesial são dois fatores essenciais que causaram a legitimação do poder do imperador assim como a centralização do Estado.[184]
cristianismo nunca foi totalmente unido e os cristãos no Império Bizantino foram diversos ao longo da história do império. A igreja oficial do Império Romano do Oriente, que veio a ser conhecida como a Igreja Ortodoxa, nunca representou todos os cristãos do império. O nestorianismo, uma visão promovida por Nestório, que foi um patriarca de Constantinopla doséculo V, separou a Igreja imperial levando ao que é hoje a Igreja Assíria do Oriente. Outra cisma do século V ocorreu em torno de Eutiques que fundamentou a doutrina monofisista que afirma que Cristo possuía apenas a natureza divina, negando a natureza humana, como era afirmado pela Igreja Católica Romana.[185] Em um cisma maior durante o século VI, igrejas ortodoxas orientais se separaram da Igreja imperial sobre as declarações do Concílio de Calcedônia. Além dessas comunhões, o arianismo e outras seitas cristãs existiam no início do império, embora no momento da queda de Roma no século V o arianismo foi confinado na maior parte dos povos germânicos da Europa Ocidental. Nos estágios finais do império, no entanto, a Ortodoxia Oriental representava a maioria dos cristãos no que restava do império. Os judeus foram uma minoria significativa do império por toda a sua história. Apesar dos períodos de perseguição, eles foram geralmente tolerados, se não sempre abraçados, durante mais períodos. A partir do ano 70, foram sujeitos a um imposto especial, que pode ter existido na Idade Média. Também havia na sociedade bizantina aqueles que se negavam a se desligarem de práticas pagãs.[186] Haviam carnavais ligados ao culto de Dioniso, que nas sociedades cristãs medievais foi equiparado aos demônios que inspiravam o riso e a embriaguez.[186]
Com o declínio de Roma, e dissensões internas nos outros Patriarcados do Oriente, a Igreja de Constantinopla tornou-se entre os séculos VI e XI, o centro mais rico e influente dacristandade.[187] Mesmo quando o império foi reduzido para apenas uma sombra de seu alto anterior, a Igreja, como instituição, nunca exerceu tanta influência dentro e fora das fronteiras. Como George Ostrogorsky aponta:
Patriarcado de Constantinopla, permaneceu o centro do mundo ortodoxo, com sedes metropolitanas subordinadas e arcebispados no território da Ásia Menor e nosBálcãs, agora perdeu a Bizâncio, assim como no CáucasoRússia e Lituânia. A igreja continua a ser o elemento mais estável do império bizantino.[188]

[editar]Arte bizantina

Miniatura do século VI dos Evangelhos de Rábula mostra a natureza mais abstrata e simbólica da arte bizantina.
Arte bizantina é quase inteiramente preocupada com a expressão religiosa e, mais especificamente, com a tradução impessoal de teologia da igreja cuidadosamente controlada em termos artísticos. Formas bizantinas forma espalhadas pelo comércio e conquista da Itália e Sicília, onde eles persistiram em formas modificadas ao longo do século XII, e tornou-se uma influência formativa sobre a arte da Renascença italiana. Por meio da expansão da Igreja Ortodoxa Oriental, as formas bizantinas se espalharam para os centros europeus do leste, nomeadamente o Império Russo.[189] Influências da arquitetura bizantina, em particular nos edifícios religiosos, podem ser encontradas em diversas regiões do Egito e daArábia para a Rússia e Romênia.
Uma das característica da arte bizantina são os mosaicos, que consistem em inúmeros pedaços de pedra e vidro coloridos, e recobertos por ouro em folha.[168][190] Apresentavam figuras de animais, plantas, dos imperadores ou cenas bíblicas. Outra característica da arte bizantina foram osícones, que são representações sacras pintadas sobre um painel de madeira.[172]
A expressão artística do período influenciou também a arquitectura das igrejas. Elas eram planeadas sobre uma base circularoctogonal ouquadrada rematada por diversas cúpulas, criando-se edifícios de grandes dimensões, espaçosos e profusamente decorados. A escultura foi representada apenas por poucos baixos-relevos.

[editar]Jardins bizantinos

Os jardins bizantinos foram amplamente baseados em ideias romanas enfatizando elaborar desenhos de mosaico, uma característica tipicamente clássica de árvores dispostas ordenadamente, assim como estruturas feitas pelo homem, tais como fontes e pequenos santuários, que gradualmente cresceram para se tornarem mais elaborados conforme o tempo avançava. Os jardins bizantinos desenvolveram um estilo distinto, no entanto, com base Oriental, e em particular nas influências islâmicas do período a partir do Oriente Próximo e África do Norte. Alguns elementos de influência árabe, são um pouco tangíveis, especialmente em matéria de design das fontes referidas, mas também jardins persas tiveram uma influência distinta, destacando um tema comum na cultura bizantina, a do choque de cores.

[editar]Música e dança bizantina

Ver artigos principais: Música bizantina e Dança bizantina.
Davi tocando a harpa.
A música tradicional bizantina está associada ao cântico sagrado medieval das Igrejas que seguiam o rito constantinopolitano. A identificação da "música bizantina" como "canto litúrgico cristão do oriente" é um equivoco devido a razões histórico-culturais. Sua principal causa é o papel principal da Igreja, como portadora do conhecimento cultural oficial do Império Romano do Oriente, um fenômeno que nem sempre foi extremo, mas que foi agravado no período final do império (a partir do século XIV) como grandes eruditos seculares migraram para as crescidas cidades do Ocidente à época da Queda de Constantinopla, trazendo consigo grande parte da aprendizagem que estimulou o desenvolvimento do Renascimento europeu. O encolhimento da cultura oficial grega em torno de um núcleo da Igreja era ainda mais acentuado pela força política, quando a cultura oficial da corte mudou depois da captura deConstantinopla pelo Império Otomano em 29 de maio de 1453.
A música bizantina incluiu uma rica tradição de música instrumental da corte e dança. A música bizantina é composta de textos gregos para festas, cerimônias, ou músicas da Igreja.[191] Os historiadores gregos e estrangeiros concordam que os tons eclesiásticos e, em geral, todo o sistema de música bizantina está intimamente relacionada com o antigo sistema grego.[192] Continua a ser o mais antigo gênero de música existente, do qual a forma de atuação e (com o aumento da precisão a partir do século V) os nomes dos compositores, e às vezes as indicações das circunstâncias de cada obra musical, são conhecidos.
Um exemplo de dança bizantina do manuscritoSaltério de Paris.
O desenvolvimento em larga escala de formas hinográficas iniciou-se no século V com o surgimento do kontakion, um sermão longo e metricamente elaborado, que encontra seu ponto alto no trabalho de Romano, o Melodista (século VI). Heirmoi em estilo silábico estão reunidas no Heirmologion, um grosso volume que apareceu pela primeira vez no meio do século X e contém mais de mil modelos de troparia arranjados em um oktoechos (o sistema musical de oito modos).
Um geógrafo persa do século IX (Ibn Khordadbeh) identificou o uso de urghun (órgão), shilyani (provavelmente um tipo de harpa ou lira) salandj e o lyra curvado (lira), um instrumento similar ao rebab árabe.[193] Um exemplo característico são as contas de órgãos pneumáticos, cuja construção foi mais avançada no império oriental antes de seu desenvolvimento no Ocidente após o Renascimento.
As danças aprovadas pela Igreja eram danças de grupo, normalmente procissões ou círculos em que os homens, separados das mulheres, realizavam solenes movimentos decoros no temor a Deus. Havia dança de mulheres na Páscoa, danças noturnas satíricas disfarçadas nas Calendas e danças para bandas itinerantes de jovens na Roussalia. Havia certamente danças em casamentos, tabernas e nos banquetes assim como houve espetáculos de danças encenadas no teatro. Em Constantinopla, eventos importantes foram comemorados com grandes bailes públicos.
Embora haja pouca informação sobre a dança bizantina, sabe-se que muitas vezes ela era entrelaçada. O líder da dança foi chamado dekoryphaios (κορυφαίος) ou chorolektes (χορολέκτης) e foi ele quem começou a música e se certificou de que o círculo foi mantido.

[editar]Culinária bizantina

A cozinha bizantina foi marcada por uma fusão da gastronomia grega e romana. O desenvolvimento do império bizantino e do comércio trouxe especiariasaçúcar e produtos hortícolas novos para a Grécia. Os cozinheiros experimentaram novas combinações de alimentos, criando dois estilos no processo. Estes foram o do Oriente (Ásia Menor e Egeu Oriental), composto pela cozinha bizantina complementada por itens comerciais, e um estilo mais enxuto baseado principalmente na tradição grega local. Graças a localização de Constantinopla entre as rotas de comércio popular, a cozinha bizantina recebeu influências culturais de várias localidades, tais como da Reino Lombardo, o Império Persa e o emergente Império Árabe.
O consumo de alimentos foi baseado em torno da classe social. O palácio imperial foi uma metrópole de temperos e receitas exóticas; convidados foram brindados com frutas, bolos demel e doces xaroposos. A alimentação das pessoas comuns foi mais conservadora. A dieta principal era composta de pãeslegumesleguminosascereais preparados de formas variadas. Salada era muito popular. Produziam diversos tipos de queijo e faziam a famosa omelete. Eles também apreciavam mariscos e peixes, de água doce e água salgada. Cada família também mantinha um estoque de aves na copeira. Eles também consumiam outros tipos de carne que eles caçavam. Para a caça, eram utilizados cães e falcões, embora, por vezes, posse empregado armadilhas e redes. Animais maiores foram uma alimento mais caro e raro. Os cidadãos abatiam os suínos no inicio do inverno, e forneciam para suas famíliaslinguiça, carne de porco, sal e banha de porco para o ano. Apenas as classes mais abastadas comiam cordeiro. Eles raramente comiam bovinos por os utilizavam para cultivar os campos. A forma mais comum de preparo dos alimentos era fervendo. O molho garum em todas as suas variedades foi especialmente favorecido como condimento.
Macedônia foi conhecida pelos seus vinhos, servidos para os bizantinos de alta classe. Durante as Cruzadas e depois, os europeus ocidentais valorizaram caros vinhos gregos. OCristianismo Ortodoxo estava intimamente associado ao consumo do vinho.

[editar]Governo e burocracia

No estado bizantino, o imperador se tornou o governante único e absoluto, e seu pode foi considerado como tendo origem divina.[13] O Senado deixou de ter real autoridade política e legislativa, mas permaneceu como um conselho honorário com membros titulares. Até o final do século VIII, uma administração civil focada na corte foi formada como parte de uma consolidação em grande escala do poder na capital (o aumento e a proeminência da posição do sakellarios está relacionada a esta mudança).[194] O mais importante desse período é a criação das themas, onde a administração civil e militar é exercito por uma pessoa, o strategos.[13]
Themas, em 650.
Themas em 950.
Apesar do uso ocasionalmente depreciativo da palavra "bizantina", a burocracia bizantina tinha uma capacidade especial para se reinventar, de acordo com a situação do império. Funcionários foram dispostos em ordem rigorosa em torno do imperador, e dependiam da vontade imperial para sua classificação. Havia também reais empregos administrativos, mas a autoridade pode ser atribuída a indivíduos ao invés de escritórios.[195] Nos séculos VIII e IX, o serviço civil constituiu o mais claro caminho para o status aristocrático, mas, a partir do século IX, a aristocracia civil foi rivalizada por uma aristocracia da nobreza. Segundos alguns estudos do governo bizantino, a política do século XI foi dominada pela concorrência entre os civis e a aristocracia militar. Durante este período, Aleixo I empreendeu importantes reformas administrativas, incluindo a criação de novas honras e serviços.[196]

[editar]Diplomacia bizantina

Após a queda do Império Romano, o principal desafio para o Império Bizantino foi a de manter um conjunto de relações entre si e os seus vizinhos. Quando essas nações começaram a forjar instituições políticas formais, muitas vezes estas foram baseadas nas de Constantinopla. A diplomacia bizantina logo conseguiu atrair os seus vizinhos em uma rede de relações internacionais inter-estatais.[197] Esta rede girava em torno de tratados, que incluiam o acolhimento do novo governante para a família dos reis, e a assimilação bizantina de atitudes sociais, valores e instituições.[198] Considerando que escritores clássicos gostam de fazer as distinções éticas e legais entre a paz e a guerra, os bizantinos consideravam a diplomacia como uma forma de guerra alternativa.[199] Por exemplo, uma ameaça búlgara poderia ser combatida, fornecendo dinheiro para os Rus' de Kiev.[199] A Igreja Ortodoxa também manteve uma função diplomática, e a propagação do cristianismo ortodoxo, foi um objetivo diplomático importante do império.
A diplomacia na época era entendida como tendo uma função de recolha de informações no topo de sua função puramente política. A Secretaria dos Bárbaros de Constantinopla lidava com questões de protocolo e registro de todas as questões que tratavam de "bárbaros" e, portanto, tinha, talvez, uma função de inteligência básica em si.[200] J. B. Bury acredita que o gabinete exercia a supervisão sobre todos os estrangeiros que visitavam Constantinopla, e que eles estavam sob a supervisão do Logothetes tou dromou.[201] Houve um protocolo no escritório – sua missão principal era garantir que enviados estrangeiros fossem adequadamente tratados e recebessem fundos suficientes do Estado para sua manutenção, e fossem mantidos tradutores oficiais – tendo claramente uma função de segurança. Em relação à estratégia, a partir do século VI, oferece conselhos sobre embaixadas estrangeiras: "[enviados] que não são enviados devem ser recebidos com honra e generosidade, para todos possuírem representantes em alta estima. Seus assistentes, no entanto, devem ser mantidos sob vigilância para serem obtidas todas as informações por meio de perguntas do nosso povo".[202]
Os bizantinos recorreram a uma série de práticas diplomáticas. Por exemplo, as embaixadas da capital, muitas vezes costumavam permanecer por anos. Membros de outras casas reais eram rotineiramente convidados a ficar em Constantinopla, não só como potenciais reféns , mas também como peões úteis, caso as condições políticas de onde viessem mudassem. Outra prática fundamental era surpreender os visitantes, por exposições suntuosas.[197] De acordo com Dimitri Obolensky, a preservação da civilização na Europa Orientalfoi devido à habilidade e desenvoltura da diplomacia bizantina, que foi uma das grandes contribuições de bizâncio para a história da Europa.[203]

[editar]Exército e marinha bizantina

Ver artigos principais: Exército bizantino e Marinha bizantina.
O exército bizantino foi o principal órgão militar das forças armadas bizantinas, servindo junto a marinha bizantina. Um descendente direto do exército romano, o exército bizantino manteve o mesmo nível de disciplina, talento estratégico e organização. Ele estava entre os exércitos mais eficientes da Eurásia Ocidental por boa parte da Idade Média.
A característica principal do exército do Império Romano foram os legionários, soldados de elite que foram extintos do exército bizantino a favor da cavalaria pesada no século VII. Dosséculos VII ao XII, o exército bizantino estava entre as forças militares mais poderosas e eficazes.
Mapa das principais operações bizantino-muçulmanas e batalhas no Mediterrâneo dos séculos VII ao XI.
A marinha bizantina desenvolveu-se diretamente de sua contraparte romana anterior, mas em comparação com seu antecessor desempenhou um papel muito maior na defesa e sobrevivência do Estado. Enquanto as frotas do Império Romano enfrentaram algumas grandes ameaças navais, operando como uma força policial muito inferior em poder e prestígio para as legiões, o mar era vital para a existência de Bizâncio, que muitos historiadores chamaram de "império marítimo".[204]
Durante o século VI o restabelecimento de uma frota permanente e a introdução da galera dromon marcam o momento em que a marinha bizantina começou a ganhar sua própria identidade característica. Esse processo seria favorecido com o início das conquistas árabes do século VII. O mediterrâneo tornou-se um campo de batalha entre as forças bizantinas e árabes. Nesta luta, as frotas bizantinas eram críticas, não só para a defesa dos bens longínquos do império em torno da bacia do Mediterrâneo, mas também na repulsa dos ataques marítimos contra a capital imperial de Constantinopla. Através da utilização do recém-criado "fogo grego", a marinha bizantina salvou Constantinopla de vários assédios e numerosos combates navais foram ganhos para os bizantinos.

[editar]Língua

O Saltério Mudil, o saltério completo mais antigo na língua copta (Museu Copta, Egito,Cairo Copta).
O idioma original do governo do império, que devia suas origens ao Império Romano, tinha sido o latim e este continuou a ser sua língua oficial, até o século VII, quando foi efetivamente mudado para o grego por HeráclioAcadêmicos latinos rapidamente caíram em desuso entre as classes instruídas, embora a linguagem continuaria a ser pelo menos uma parte cerimonial da cultura do império, durante algum tempo.[205] Além disso, o latim vulgar continuou a ser uma língua minoritária no império entre as populações trácio-romanas o que deu origem a língua (proto-) romena.[206] Da mesma forma, na costa do Mar Adriático, outro vernáculo neolatino foi desenvolvido, e mais tarde daria origem a língua dalmática. Nas províncias do Mediterrâneo Ocidental, temporariamente adquiridas sob o reinado de Justiniano I, o latim (depois evoluiu para o italiano) continuou a ser usado como uma língua falada e na língua cultural.
Além da corte imperial, da administração e dos militares, o principal idioma utilizado nas províncias orientais romanas, mesmo antes do declínio do império do Ocidente sempre foi o grego, tendo sido falado na região durante séculos antes do latim.[207] Na verdade, no início da vida do Império Romano, o grego se tornou a língua comum da Igreja Cristã, a língua da erudição e das artes, e, em grande medida, a língua franca para o comércio entre as províncias e com outras nações.[208] A própria língua por um tempo ganhou uma natureza dual com a língua falada, Koiné, existindo ao lado de uma antiga língua literária com o Koiné, eventualmente, evoluiu para o dialeto padrão.[209]
Muitos outros idiomas existiam no império multiétnico, bem como, algumas destas receberam o status oficial limitado em suas províncias em vários momentos. Notadamente, no início da Idade Média, o siríaco e o aramaico tinham se tornado mais amplamente utilizados pelas classes educadas nas províncias do extremo oriente.[210] Da mesma forma o copta, o armênio e o georgiano se tornaram significativas entre os educados em suas províncias,[211] e, posteriormente, fez o contato com línguas estrangeiras eslavas, valaco e línguas árabes importantes na esfera de influência do império.[212]
Afora essas, uma vez que Constantinopla, era um centro comercial privilegiado na região do Mediterrâneo e além, praticamente todos os idiomas conhecidos da Idade Média foram falados no império, em algum momento, até mesmo o chinês.[213] À medida que o império entrou em seu declínio final, os cidadãos do império tornaram-se culturalmente homogêneos e à língua grega tornou-se parte integrante de sua identidade e sua religião.[214]

[editar]Calendário bizantino

Mosaico bizantino da criação de Adão (Catedral de Monreale).
O calendário bizantino, também "Era da Criação de Constantinopla", ou "Era do Mundo" foi o calendário usado pela Igreja Ortodoxa Orientalde 691-1728 no Patriarcado Ecumênico. Foi também o calendário oficial dos bizantinos de 988-1453, e na Rússia de 988-1700.
O calendário é baseado no Calendário juliano, exceto que o ano começa em 1 de setembro e o número de anos usado em uma época Anno Mundi derivam da versão Septuaginta da Bíblia. Foi colocado a data de criação em 5509 antes da Encarnação, e foi caracterizada por uma certa tendência que já tinha sido uma tradição entre os judeus e cristãos ao número dos anos desde a criação do mundo. Seu primeiro ano, a suposta data da criação, foi 1 de setembro de 5509 a.C. a 31 de agosto de 5508 a.C.

[editar]Legado

Rei Davi nas vestes de um imperador bizantino. Minuatura do Saltério de Paris.
Como único estado estável de longo prazo na Europa durante a Idade Média, Bizâncio isolou da Europa Ocidental as forças emergentes do leste. Constantemente sob ataque, ele distanciou da Europa Ocidental os persasárabesturcos seljúcidas, e por um tempo, os otomanos. As guerras bizantino-árabes, por exemplo, são reconhecidas por alguns historiadores como sendo um fator chave por trás da ascensão de Carlos Magno,[215] e um estímulo para o feudalismo e a auto-suficiência econômica.
Durante séculos, historiadores ocidentais usaram o termo bizantino e bizantinismocomo palavras de decadência, política hipócrita e complexa burocracia, e não havia uma avaliação extremamente negativa da civilização bizantina e seu legado no sudeste da Europa.[216] Bizantinismo em geral foi definido como um corpo de ideias religiosas, políticas e filosóficas que funcionou ao contrário das do Ocidente.[217] Nos séculos XX e XXI, contudo, os historiadores ocidentais tentam entender o império de uma forma mais equilibrada e precisa, incluindo suas influências sobre o Ocidente, e como resultado do caráter complexo da cultura bizantina recebendo mais atenção e um tratamento mais objetivo do que anteriormente.[217]
Se a existência do Antigo Império Romano (incluindo o Império Romano do Ocidente) e do Império Romano do Oriente/Império Bizantino é combinada, todo o império romano existiu por 1.480 anos. O predecessor do Império Romano, a República Romana, durou 482 anos, então alguma forma de Estado romano existiu continuamente durante 1962 anos, ou cerca de 100 gerações. E com a existência de 244 anos do Reino de Roma acrescentados, esse número seria 2206.

Notas

  1.  Romania (ou Rhōmanía) foi usado oficialmente, o que significa "terra dos romanos". Não há relação com a moderna Romênia.
  2.  "Imperium Graecorum", "Graecia", "Yunastan", etc, outros nomes ocidentais foram usados como "O Império de Constantinopla" (imperium Constantinopolitanum) e "O Império da Romania" (imperium Romaniae)

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